TEORIA E PRÁXIS NO “CHÃO DA ESCOLA”

  • Alexandra Cavalcante Pessoa
  • Maria Cristina de Távora Sparano
Palavras-chave: Educação, Racionalidade, Teoria comunicacional, Emancipação

Resumo

Este artigo objetiva realizar uma reflexão crítica sobre a educação escolarizada, examinando as ações pedagógicas próprias de educadores e educandos, à luz da Teoria Comunicacional do filósofo e sociólogo alemão Jurgen Habermas, tendo como fonte discursiva um projeto institucional da Secretaria de Estado da Educação do Governo do Piauí, denominado “Formação no chão da escola”. Considerando a importância da abertura à experiência comunicativa na educação e na sociedade, exacerbadamente funcionalistas, o estudo da inter-relação teoria e práxis, notoriamente sistematizada e problemática, conduz-nos ao resgate dos conceitos-chave da filosofia crítica habermasiana: “mundo da vida e mundo sistêmico”, para, a partir deles e através deles, compreender e confrontar essa realidade pedagógica nefasta, produto de uma escola administrada enquanto subsistema do mundo vital, criticando substancialmente esse processo de formação educativo tão midiático e colonizado por todas as formas de habilidades regidas pela racionalidade instrumental. Concluímos com a proposta de Habermas de uma práxis pedagógica emancipatória, perfeitamente possível e carente de discussão, coordenação e entendimento, via linguagem intersubjetiva.

Referências

ARAGÃO, L. M. de C. Razão comunicativa e teoria social crítica em Jürgen Habermas. 2. ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.

ARANTES, P.; SILVA, F. L. Filosofia e seu ensino. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: EDUC, 1995.

BRASIL. Ministério de Educação e Cultura. LDB - Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da Educação Nacional. Brasília: MEC, 1996.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Texto constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações determinadas pelas Emendas Consti-tucionais de Revisão nos 1 a 6/94, pelas Emendas Constitucionais nos 1/92 a 91/2016 e pelo Decreto Legislativo no 186/2008. Brasília: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2006.

CORTINA, A.; MARTÍNEZ, E et al.. Ética. São Paulo: Loyola, 2005.

HABERMAS, J. Conhecimento e Interesse. In: Os Pensadores. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983.
______. Consciência moral e agir comunicativo. Tradução Guido A. de Almeida. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.

______. Técnica e ciência como ideologia. Lisboa: Edições 70, 1994.

______. Teoria do Agir Comunicativo: racionalidade da ação e racionalização social. Tradu-ção de Paulo Astor Soethe; revisão e tradução de Flávio Beno Siebeneichler. São Paulo: Edi-tora WMFMartins Fontes, 2012a. vol. 1.

______. Teoria do Agir Comunicativo: sobre a crítica da razão funcionalista. Tradução de Flávio Beno Siebeneichler. São Paulo: Editora WMFMartins Fontes, 2012b. vol. 2.

MACEDO E. F. Novas Tecnologias e currículo. In: Currículo: Questões atuais. São Paulo: Papirus, 1997.

MORAIS, Regis de. Sala de aula: que espaço é esse? 10. ed. Campinas, SP: Papirus, 1996.

PRESTES, N. M. H. Educação e racionalidade: conexões e possibilidades de uma razão comunicativa na escola. 1995. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1995.

RODRIGO, L. M. Filosofia em sala de aula: teoria e prática para o ensino médio. Campinas: Autores Associados, 2009.

ROSSI, W. G. Capitalismo e educação: contribuição ao estudo crítico da economia da edu-cação capitalista. 2. ed. São Paulo: Moraes, 1980.

SAVIANI, D. Escola e Democracia. São Paulo: Autores Associados, 2009.

VEIGA, I. P. A. (Org.). Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. São Paulo: Papirus, 2011.
Publicado
2021-02-17
Seção
Dossiê Ensino de Filosofia