FORÇA E TOTALITARISMO EM APRENDER A REZAR NA ERA DA TÉCNICA, ROMANCE DE GONÇALO TAVARES

  • Maria Isabel da Silveira Bordini Universidade Federal de Minas Gerais

Resumo

O presente artigo analisa a figuração da força e da violência no romance Aprender a rezar na era da técnicaPosição no mundo de Lenz Buchmann, último da tetralogia O Reino, de Gonçalo Tavares. Em diálogo com as reflexões das pensadoras Hannah Arendt e Simone Weil, apresento a relação do protagonista Lenz Buchmann com o fazer e a técnica, na qual se evidenciam as associações entre postura totalitária e a supremacia do fazer, em detrimento de outros aspectos da condição humana, como a ação (no sentido arendtiano de ação política), o pensamento e o juízo. Ademais, estabelecer o diálogo entre a figuração literária da realidade do poder e da violência realizada por Tavares e a interpretação de fenômenos semelhantes operada por Arendt e Weil me parece uma forma de ilustrar e compreender a relação de construção mútua que a literatura e os demais discursos que se dão no mundo sustentam entre si. Espero que esse trabalho possa concorrer em favor de uma maior integração entre os estudos literários e as demais formas de investigação da realidade, mormente as assim chamadas ciências humanas.

Biografia do Autor

Maria Isabel da Silveira Bordini, Universidade Federal de Minas Gerais

Bacharel em Direito e em Letras Português pela Universidade Federal do Paraná.

Mestre em Letras com ênfase em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná.

Doutorado em Estudos Literários em andamento na Universidade Federal de Minas Gerais.

 

Referências

ARENDT, Hannah. A Condição Humana. Trad. de Roberto Raposo. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008.

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_____. Origens do totalitarismo. Trad. de Roberto Raposo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

BREPOHL, Marion (org.). Eichmann em Jerusalém: 50 anos depois. Curitiba: Editora UFPR, 2013.

TAVARES, Gonçalo. Aprender a rezar na era da técnica – Posição no mundo de Lenz Buchmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

_____. Um homem: Klaus Klump. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

WEIL, Simone. A Ilíada ou o poema da força. In: A condição operária e outros estudos sobre a opressão. Ecléa Bosi (org.). Tradução de Therezinha G. G. Langlada. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, pp. 319-344.

_____. Diário da Fábrica (fragmentos). In: BOSI, Ecléa (org.). A condição operária e outros estudos sobre a opressão. Trad. de Therezinha G. G. Langlada. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p. 73-94.

YOUNG-BRUEHL, Elizabeth. Por amor ao mundo: a vida e a obra de Hannah Arendt. Trad. de Antônio Trânsito. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1997.

Publicado
2018-11-03
Seção
Estudos Literários