JORGE LUIS BORGES E OCTAVIO PAZ, DOIS ESCRITORES À DERIVA OU A BUSCA POR UM PENSAMENTO CRÍTICO NA AMÉRICA LATINA

  • Matheus Silva Vieira Universidade Federal do Ceará

Resumo

Este trabalho tem como objetivo discutir e problematizar o dilema da autonomia cultural dos escritores latino-americanos, a partir de um diálogo entre os textos de Jorge Luis Borges e Octavio Paz. A escolha por esses dois autores foi motivada pela capacidade que ambos tiveram de refletir sobre a problemática da autonomia cultural latino-americana. Octavio Paz (1990), por exemplo, questiona-se sobre a possibilidade de se desenvolver um pensamento crítico e filosófico em países periféricos. Já Jorge Luis Borges (1998) em “O escritor argentino e a tradição”, defende a tese de que os artistas latino-americanos não estão presos a uma tradição específica, pois a criatividade artística é mais vasta que os limites impostos pelas fronteiras topográficas. Assim, no decorrer desta pesquisa, veremos como Borges e Paz desenvolvem uma linha de pensamento capaz de questionar e problematizar temas como a linearidade do tempo, o tempo da poesia, a rotação dos signos, a irrealidade do real e as teorias reducionistas que viam os pensadores latino-americanos como meros repetidores de ideias estrangeiras. Para a realização deste artigo foi utilizado como aporte teórico, além das obras de Borges (1998; 1999) e Paz (1990; 2012; 2013), os estudos filosóficos de Hume (1999), Schopenhauer (2005) e Kant (2012).

Biografia do Autor

Matheus Silva Vieira, Universidade Federal do Ceará

Graduado em Letras pela Universidade Federal do Ceará. Atualmente, é aluno do mestrado em Literatura Comparada pelo Programa de Pós-graduação em Letras desta mesma Universidade. Concentra interesse de estudos nas áreas de Teoria da Literatura, Literatura Comparada e Literatura Latino-Americana. E-mail: matheus.svieira91@gmail.com

Referências

ASSIS, M. de. O ideal do crítico. In: ____. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, v. 3.

BORGES, Jorge Luis. Obras completas. Vários tradutores. São Paulo: Globo, 1998. v.1

______. Obras completas. Vários tradutores. São Paulo: Globo, 1999a. v. 2

______. Obras completas. Vários tradutores. São Paulo: Globo, 1999b. v. 3

BORGES, Jorge Luis; FERRARI, Osvaldo. Sobre a filosofia e outros diálogos. Tradução de John Lionel O. Rodriguez. Introdução de Walter Carlos Costa. São Paulo: Hedra, 2009.

DE CAMPOS, Haroldo. Constelação para Octavio Paz. In: PAZ, Octavio. Signos em rotação. 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1990, p. 299-313.

HEGEL, F. Cursos de estética. In: Rodrigo Duarte (Org.). O belo autônomo: textos clássicos de estética. 2. ed. rev. e ampl. Belo Horizonte: Autêntica; Crisálida, 2012, p.187-202.

HUME, David. O padrão de Gosto. In: Rodrigo Duarte (Org.). O belo autônomo: textos clássicos de estética. 2. ed. rev. e ampl. Belo Horizonte: Autêntica; Crisálida, 2012, p.91- 113.

KANT, Immanuel. Crítica da faculdade do juízo. 3. ed. Tradução de Valério Rohden e António Marques. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

LAFER, Celso. O poeta, a palavra e a máscara. In: PAZ, Octavio. Signos em rotação. 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1990, p. 269-282.

PAZ, Octavio. In/Mediaciones. 3. ed. Barcelona: Seix Barral, 1990.

______. Signos em rotação. Tradução de Sebastião Uchoa Leite. São Paulo: Perspectiva, 2009.

______. O arco e a lira. Tradução de Ari Roitman e Paulina Wacth. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

______. Os Filhos do Barro: do romantismo à vanguarda. Tradução de Ari Roitman e Paulina Wacth. São Paulo: Cosac Naify, 2013.

______. O labirinto da solidão e post-scriptum. 4ª ed. Tradução de Eliane Zaguri. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2006.

______. Vislumbres da Índia: um diálogo com a condição humana. 3ª ed. Tradução de Olga Zavary. São Paulo, Mandarim, 1996.

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. Tomo 1. Tradução, apresentação, notas e índices de Jair Barboza. São Paulo: Editora UNESP, 2005.

UCHOA LEITE, Sebastião. Octavio Paz: o mundo como texto. In: PAZ, Octavio. Signos em rotação. 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1990, p. 283-297.

Publicado
2018-11-03
Seção
Estudos Literários