Entre a lira e o caldeirão: magia e música na expedição dos argonautas

  • Francisca Luciana Sousa da Silva Universidade Federal de Minas Gerais

Resumo

A partir do estudo das poéticas do exílio relacionadas ao mito de Medeia, pareceu-nos singular a presença recorrente, mas não coincidente, do par mítico Orfeu e Medeia na Argonáutica, de Apolônio de Rodes. Ambos têm poderes mágicos: ele, na arte da música; ela, na manipulação das ervas. Ambos também participam ou instituem mistérios: ela, sacerdotisa de Hécate; ele, sacerdote de Apolo. São opostos complementares, fundamentais ao sucesso da expedição dos Argonautas. Para além da leitura mítica, propomos uma leitura e análise crítico-interpretativa a partir da obra de Jacques Derrida, A farmácia de Platão (2005), que tratará da escritura e do termo a ela associado, marcadamente ambíguo: phármakon. Este advém de um mito, o mito de Theuth, tratado no diálogo Fedro, de Platão. Além de Derrida, outro autor retomará o filósofo, fundamentando nosso estudo: Alberto Bernabé com Platão e o orfismo: diálogos entre religião e filosofia. A exposição deve ainda contar com dois aparatos metodológicos: o da historiografia e o da psicologia analítica, especialmente a abordagem alquímica, a partir da leitura de O segredo da flor de ouro: um livro de vida chinês, de C. G. Jung e R. Wilhelm.

Biografia do Autor

Francisca Luciana Sousa da Silva, Universidade Federal de Minas Gerais
Graduada em Letras Português e mestra em Letras (Área de concentração: Literatura Comparada) pela Universidade Federal do Ceará. Especialista em Estudos Clássicos pela UnB/ARCHAI. Doutoranda em Estudos Literárias pela UFMG (FALE/Pós-Lit).

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Publicado
2019-10-28
Seção
Estudos Literários