As escritas de si – e do outro – na autobiografia americana de Dany Laferrière

Resumo

Dany Laferrière chegou no Quebec em 1976, fugindo da ditadura de Jean-Claude Duvalier (mais conhecido como Baby Doc) no Haiti. Em terras estrangeiras, Laferrière desenvolveu um conjunto de dez obras, que Laferrière definiu como sua autobiografia americana. Embora o autor empregue o termo “autobiografia”, este não seria o termo adequado para classificar a escrita dessas dez obras. Isso porque os relatos de sua vida no Haiti até os 23 anos (ciclo haitiano) e os relatos de sua vida no Canadá e nos Estados Unidos enquanto negro e migrante (ciclo americano) são permeados por situações ficcionais, de modo que o pacto de veracidade que caracteriza uma autobiografia não ocorre (LEJEUNE, 2008). Entretanto, outras classificações são possíveis. Sendo assim, a análise da escrita de si que representa a autobiographie américaine de Laferrière terá como referência a tese de Diana Irene Klinger, defendida na UERJ: Escritas de si, escritas do outro: autoficção e etnografia na narrativa latino-americana contemporânea.

Biografia do Autor

Sandra Mara Stroparo, Universidade Federal do Paraná
Graduada em Letras Francês pela Universidade Federal do Paraná (1992), onde também fez seu Mestrado em Letras (1995). Doutora em Teoria Literária pela Universidade Federal de Santa Catarina (2012), com trabalho sobre Mallarmé. Trabalha na Universidade Federal do Paraná como professora de Literatura Brasileira e Teoria Literária (desde 1998). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, Literatura Francesa e Tradução.

Referências

BENJAMIN, Walter. O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994. Pp. 197-221.

COLIN-THEBAUDEAU, Katell. Dany Laferrière exilé au « Pays sans chapeau ». Tangence, n° 71, 2003, p. 63-71. Disponível em: http://id.erudit.org/iderudit/008551ar. Acesso em: 7 jun. 2019.

KLINGER, Diana Irene. Escritas de si, escritas do outro: autoficção e etnografia na narrativa latino-americana contemporânea. Tese (doutorado) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Letras. 2006.

LEJEUNE, Philippe. O Pacto Autobiográfico: de Rousseau à Internet; Org. Jovita Maria Gerheim Noronha; trad. Jovita Maria Gerheim Noronha, Maria Inês Coimbra Guedes. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.

LAFERRIÈRE, Dany. Comment faire l’amour avec un nègre sans se fatiguer. Mônaco: Rocher, 1999.

LAFERRIÈRE, Dany. Éroshima. Montreal: Typo, 2005.

LAFERRIÈRE, Dany. Le Goût des jeunes filles. Paris: Grasset, 2005.

LAFERRIÈRE, Dany. Cette grenade dans la main du jeune nègre est-elle une arme ou un fruit? Montréal: Typo, 2000.

LAFERRIÈRE, Dany. J’écris comme je vis. Vénissieux: La passe du vent, 2000.

LAFERRIÈRE, Dany. Chronique de la dérive douce. Paris: Grasset, 2012.

LAFERRIÈRE, Dany. L'Odeur du café. Paris: Zulma, 2016.

LAFERRIÈRE, Dany. Pays sans chapeau: roman. Paris: Zulma, 2018.

Publicado
2020-03-08