DOS INUTENSÍLIOS DO POETA OU A ARTE DE ACENDER VAGA-LUMES: A POESIA EM MANOEL DE BARROS

  • Ângelo Bruno Lucas de Oliveira Universidade Federal do Ceará

Resumo

O presente trabalho elege três poemas de Manoel de Barros, a partir dos quais é possível tecer comentários sobre a poesia e sua natureza. Constituem, pois, o corpus da pesquisa, o excerto número IX de “Sabiá com trevas”, o fragmento V de “Retrato quase apagado em que se pode ver perfeitamente nada” e “Comparamento”. Os escritos mantêm similaridades com o pensamento de parte da teoria literária do século XX, que vê a literatura de modo distinto da tradição, atribuindo-lhe características como o vazio e a ausência de sentido. Pensadores que seguem essa linha teórica e que constituem a base teórica do presente estudo são, dentre outros, Barthes (2004, 2007, 2010), Blanchot (1997, 2005, 2011), Deleuze (2011) e Nancy (2013). A poesia de Manoel de Barros, como apresentada aqui, corrobora o pensamento dos autores, investindo a si própria de um caráter autorreflexivo e autocrítico.

Biografia do Autor

Ângelo Bruno Lucas de Oliveira, Universidade Federal do Ceará
Aluno do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFC, em nível de Doutorado. Mestre em Literatura Comparada pela UFC. Graduado em Letras pela Universidade Estadual Vale do Acaraú.

Referências

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Publicado
2017-01-30