Narrativas de deslocamento: o lugar para sujeitos migrantes em escritas de Antônio Torres

  • Clélia Gomes dos Santos Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
  • Ricardo Martins Valle Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Resumo

A representação de sujeitos em condição de desterro tem sido largamente recorrente nas produções literárias contemporâneas. Numerosas são as narrativas de ficção em que a mobilidade forçada, posta por instabilidades econômicas, culturais, políticas ou a estabilidade inquieta pelos desajustamentos sociais se fazem presentes, apontando para questões como pertencimento e desenraizamento, a diáspora sertaneja do nordeste brasileiro no século XX e a redefinição da identidade agenciada por novos contatos com culturas. Por meio de recortes teóricos dos conceitos migração, deslocamento e lugares, assim como dos estudos culturais fundamentados por Stuart Hall (2003), Zygmunt Bauman (2001), Homi Bhabha (1998), García Canclini (2006), dentre outros, este estudo pretende discutir a experiência do deslocamento na narrativa contemporânea o sentido que os ‘lugares’ resultantes dos  processos de mobilidades forçadas representam na vida dos sujeitos migrantes, assim como verificar de que maneira a perda dos referentes espaciais modificam o sujeito desenraizado. Para tanto, analisamos trechos das obras contemporâneas Essa Terra (1976), O Cachorro e o lobo (1997) e Pelo fundo da agulha (2006) do escritor Antônio Torres.

Biografia do Autor

Clélia Gomes dos Santos, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Mestranda do Programa de Pós- Graduação em Letras: Cultura, Educação e Linguagem, pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Graduada em Letras Português/Inglês e Literaturas pela Universidade do Estado da Bahia (2005). É especialista em Letras, Português e Literaturas pela FIJ e em Práticas Docentes Interdisciplinares pela UNEB. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em LÍNGUA PORTUGUESA/INGLESA E LITERATURAS.
Ricardo Martins Valle, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Graduado em Letras Alemão/Português pela USP (1998), mestrado e doutorado em Literatura Brasileira também pela USP, sob a orientação do Prof. Dr. João Adolfo Hansen. É professor na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, atuando nos cursos de Graduação e Pós-Graduação.

Referências

AMADO, Jorge. Seara Vermelha. 45ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1986.

BARBERO, Jésus Martin. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Editora UFRJ, 2003.

BARZOTTO, L. A. O Entre-Lugar na Literatura Regionalista: Articulando Nuanças Culturais. Raído. Dourados, MS, v. 4, n. 7, p. 23-36, jan./jun. 2010.

BATISTA, R. P. Ferreira Gullar: memórias do exílio (1964-1985). Tese (Doutorado em História) - Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Campinas, SP: [s. n.], 2011.

BAUMAN, Zygmunt. Identidade. RJ: Jorge Zahar, 2005.

_______Modernidade liquida. Trad. Plinio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.

BHABHA, Homi K. O local da cultura. Tradução de Myrian Ávila; Eliana Lourenço de Lima Reis; Gláucia Renate Gonçalves. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998.

BRAGA, C.R.V. GONÇALVES, G. R. Diáspora, Espaço e Literatura: alguns caminhos teóricos. Revista Trama. v. 10. n. 47, p. 37–47, jan/jun. 2014.

CANCLINI, Nestor Garcia. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. Trad. Heloísa Pezza Cintrão, Ana Regina Lessa. 4. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.

GUERRA, G. A. D. O êxodo rural no cancioneiro popular: Triste partida, de Patativa do Assaré. Trilhas, Belém, v. 3, n. 1, p. 23-34, 2002. Disponível em: < http://www.reformaagrariaemdados.org.br/sites/default/files/O%20êxodo%20rural%20no%20 cancioneiro%20popular.%20Triste%20Partida,%20de%20Patativa%20do%20Assaré 20- %20Gutemberg%20Armando%20Diniz%20Guerra.pdf>. Acesso em: 15 jul. 2016.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 11. Ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

_____, Stuart. Da Diáspora: Identidades e Mediações Culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2003.

JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 11. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2014.

MOITA LOPES, Luiz Paulo da. (Org.) Discursos de identidades: discurso como espaço de construção de gênero, sexualidade, raça, idade e profissão na escola e na família. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2003.

NASSAR, Raduan. Lavoura Arcaica. São Paulo: Editora Record, 1975.

PAIVA, M.G. Os caminhos e os sentidos do exílio na poesia brasileira: algumas considerações. Scripta. Belo Horizonte, v. 21, n. 42, p. 35-55, jul./dez. 2017.

QUEIROZ, Rachel. O quinze. São Paulo: Siciliano, 1993.

RAMOS, Graciliano. Vidas secas. São Paulo: Martins Fontes, 1970.

SANTIAGO, Silviano. Uma literatura nos trópicos: ensaios sobre dependência cultural. São Paulo: Perspectiva/ Secretaria da Cultura, Ciência e tecnologia do estado de São Paulo, 1978.

_____. Vale Quanto Pesa. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1982.

TORRES, Antônio. Essa terra. 15. ed. Rio de Janeiro: Record, 2001.

_______, Antônio. O cachorro e o lobo. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 1997.

_______, Antônio. Pelo fundo da agulha. Rio de Janeiro: Record, 2006.

Publicado
2020-03-08