MÁ FÉ INSTITUCIONAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS: PRIMEIRAS IMPRESSÕES NA EXTENSÃO LAEDDES.

  • Madyson Matheus Sousa Mororó
  • Ariadsa Mesquita Aragão, Vitória Ferreira de Azevedo
  • Francisca Denise Silva do Nascimento

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo trazer um relato de experiência a partir das ações de extensão em 2019 do Laboratório de Estudos em Diversidades e Desigualdades da Universidade Federal do Ceará - Campus Sobral. O Projeto “Reescrevendo minha história”, do laboratório citado, atuou em 12 ações em uma escola da rede estadual ensino na cidade de Sobral - Ceará, visitando as turmas de 3º ano do ensino médio. Buscarei relacionar a ida a campo com os estudos, e os conceitos de “Má Fé Institucional” de Jessé Souza e os Escritos de Educação de Pierre Bourdieu. Em suma, percebemos alguns problemas que as escolas enfrentam, seja por políticas públicas que falham em subsidiar seu pleno funcionamento ou por questões sociais em relação aos alunos e suas famílias, comprometendo sua função primordial de promover a cidadania por meio do conhecimento e da educação. Diante da oportunidade de ouvir alguns alunos em rodas de conversa, estabelecemos um contato direto com algumas demandas dos mesmos e percebemos a presença de um padrão de ação institucional evidenciado pelo cenário de desenvolvimento histórico da instituição escolar no Brasil marcado pelo fracasso da ralé e atravessado pela ordem social patriarcal e burguesa, contribuindo para uma educação excludente, seletiva e deixando de ser qualitativa e quantitativa para ser somente qualitativa em relação aos resultados. Outro aspecto relevante foi a questão das avaliações externas que avaliam cada aluno e a qualidade do ensino, classificando e separando-os em os úteis futuramente à sociedade e os fadados ao fracasso e às posições desqualificadas que, segundo Jessé, cria um estigma para o aluno. Por fim, a “Má Fé Institucional” revela aos indivíduos a ideia de sucesso pessoal, marcado pela ideologia do mérito e como serão reconhecidos socialmente pelo sistema capitalista competitivo, em virtude do conhecimento abrir as portas de um caminho que, infelizmente para alguns, estas lhes serão bem mais estreitas ou já fechadas.
Publicado
2019-01-01
Seção
Encontro de Iniciação Acadêmica – PRAE