NARRAR SOFRIMENTOS PARA NÃO ENLOUQUECER: UMA NECESSIDADE NOS POEMAS DE BUKOWSKI

  • Francisco Cristóvão Epaminondas Silva Chaves
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  • Ana Carolina Borges Leão Martins

Resumo

Este trabalho tem o objetivo inicial de observar como o sujeito pode extrair um espaço dos instrumentos da cultura para reelaborar seus sofrimentos, satisfazer-se pulsionalmente ou, até mesmo como o próprio escritor disse, não enlouquecer. Para tal propósito tomamos como objeto de estudo os enunciados do livro de poemas de Charles Bukowski, intitulado O Amor é um Cão dos Diabos, com a finalidade de sondar o tema da sublimação e observar como o poeta indiretamente ensina um mecanismo de reelaboração ao escrever, rearranjando-se com a arte da linguagem um meio para sua satisfação pulsional. Particularmente, Bukowski chamou atenção para esta problemática quando afirmou que sua escrita era a válvula de escape de seu drama e insânia, declarando em correspondência com John Martin que “escrevia para não enlouquecer”. A metodologia de trabalho está na observação de enunciados em que o Bukowski, conhecido por suas obras autobiográticas, explicita seu sofrimento nos poemas para conseguir suportá-los. Em um segundo momento da discussão, o nosso cuidado de não assumir uma posição de mestre ou selvagem nas observações emerge como regra, ou seja, o trabalho problematiza a própria análise de textos com sustentação na psicanálise e tenta vislumbrar o que o escritor pode nos ensinar sobre a satisfação pulsional. Sendo assim, a relevância deste trabalho concentra-se principalmente em recordar ao analista as variadas formas que os sujeitos encontram para sublimar, buscar satisfação.
Publicado
2019-01-01
Seção
Encontro de Iniciação Acadêmica – PRAE