NEGRITUDE E COLORISMO: UM RELATO DE RECONHECIMENTO

  • Ellayne Oliveira Marques
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  • Francisca Denise Silva do Nascimento

Resumo

Este trabalho se propõe abordar como as leituras, discussões e vivencias nas atividades do Laboratório de Estudos das Desigualdades e Diversidades – LAEDDES me fizeram compreender como a negritude me atravessa, algo que até então era sempre relacionado ao sofrimento, e perceber como o colorismo traz privilégios. Se tem como objetivo discutir, a partir de vivencias pessoais, e de autoras como Carolina Maria de Jesus, Angela Davis e Bell Hooks, como a discussão sobre o livro “O quarto de despejo” afetou o modo de entender a minha relação com negritude. Davis é enfática em afirmar a importância de se discutir sobre racismo e negritude, em seu discurso na SJSU, ela afirma que “se todas as vidas importassem, nós não precisaríamos proclamar enfaticamente que vida dos negros importam”. Em 2017, 75,5% das vítimas de homicídio no Brasil eram negras (ATLAS DA VIOLÊNCIA, 2019), mostrando a atualidade do discurso de Davis. Ser negro no Brasil é viver em perigo, nas mais diferentes formas de racismo e violência. Focando na mulher negra é tem-se os estereótipos de mulheres com forte sexualidade, selvagens, prostitutas e da “mãe preta” (HOOKS, 0000). No livro de Carolina (1960), trabalhado no LAEDDES em 2019, isso se torna presente nos julgamentos que fazem a ela por ser mãe solo e por escolher não casar e ainda ter relações com estrangeiros. Algo que me afetou ao pensar sobre minha própria vivência, que mesmo com privilégios por uma pele mais clara, percebi que por muito tempo tentei apagar meus traços negros para me sentir aceita, e que como mulher desde muito cedo era esperado que eu estivesse em padrões onde não me encaixava, já que nunca alcancei a “mulata” nem a branca. Percebendo assim o efeito do colorismo, onde o negro é tolerado, mas não aceito pois implicaria o reconhecimento da diferença e do preconceito a ser superado (DJOKIC, 2014).
Publicado
2019-01-01
Seção
Encontro de Iniciação Acadêmica – PRAE