AVALIAÇÕES EXTERNAS: DISCURSOS QUE APRISIONAM

  • Marília Albuquerque de Sousa
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  • Ana Carolina Borges Leão Martins

Resumo

A escola tem sido cada vez mais invadida por discursos e por saberes externos, o que modifica a própria organização da instituição. Se nos debruçarmos para observar as relações e os discursos que circulam tanto entre os alunos quanto entre os professores e a gestão escolar, perceberemos que, progressivamente, a escola se apropria e é apropriada por uma lógica de mercado inspirada no neoliberalismo, que amplia a competitividade e promove uma ideologia do desempenho. Diante disso, utilizarei da experiência fruto de uma extensão universitária, em que foram realizadas oficinas com as turmas de primeiro ano em todos os turnos de uma escola pública da cidade. A partir das oficinas com os alunos e de conversas com a equipe pedagógica, percebemos um imperativo de resultados efetivos em avaliações externas, o que reflete em medidas institucionais tal como a divisão hierárquica das turmas (em A, B, ..., H, I.), que reforça estereótipos, desigualdades e o ideal de aluno que é essencialmente falho. Autores como Patto (2007), Esteban e Fetzner (2015) e Passone (2015), nos orientam nessa discussão, pois propõe uma reflexão acerca das avaliações externas e as (re)produções de desigualdades sociais dentro da escola. Portanto, a partir da experiência na extensão e da leitura de referenciais teóricos acerca do tema, percebemos como esses discursos estão ocupando a realidade escolar, o que aprisiona tanto os alunos quanto os profissionais que trabalham na instituição. Concluímos, então, que é necessário movimentar e deslocar as discussões em torno da mercantilização da educação, tendo em vista que isso cristaliza o ensino e a aprendizagem, além de produzir sofrimento psíquico.
Publicado
2019-01-01
Seção
Encontro de Extensão – PREX