O Corpo (Rochoso e Humano) na Composição Gráfica: Arte Rupestre no Sítio Casa de Pedra em Ibiapina Estado do Ceará, Brasil

  • Marcélia Marques
  • César Ulisses Vieira Veríssimo
  • Pedro Edson Face Moura
  • Jefferson Lima dos Santos
Palavras-chave: arte rupestre, geoarqueologia, composição gráfica, sentidos corporais

Resumo

Os estudos de arte rupestre no Brasil, quando da definição de tradições, tem se pautado, sobretudo, nos componentes estéticos composicionais dos grafismos, sobre a técnica de realização e, ainda na localização regional dos mesmos. Nesse trabalho, tendo como estudo o sítio de arte rupestre Casa de Pedra, propomos a ampliação de perspectiva ao se incluir a plasticidade do corpo rochoso, o suporte, a tela rupestre, onde elementos da rocha foram agenciados na elaboração dos grafismos. No ato de pintar e gravar, os autores gráficos recorreram às marcas geológicas visibilizadas nos painéis e as incluíram em seus atos criativos. Ainda no plano da elaboração pictórica, na extensão do contato com a rocha e com as substâncias geoambientais, quando da confecção e utilização de pigmentos, os artistas vivenciaram experiências sensoriais também dimensionadas no universo da arte e do estar na paisagem. A equivalência entre os traços elaborados pelos artistas pré-coloniais e o conjunto das estratificações geradas durante a deposição dos arenitos paleozóicos, assim como as marcas de percolação de água rica em ferro subatuais, sugerem a composição das pinturas a partir das sensações desses artistas sobre os elementos geológicos e físicos da paisagem em seus agenciamentos sígnicos. 

Publicado
2020-05-25