Ensaio sobre a cegueira: Espaços e gradientes sensoriais em Saramago e Meirelles

  • Lilian Reichert Coelho Universidade Federal do Sul da Bahia
Palavras-chave: Literatura, Cinema, Contemporaneidade, Espaço, Gradiente sensorial.

Resumo

Apresenta-se leitura comparativa entre duas produções culturais contemporâneas de materialidades distintas: o livro Ensaio sobre a cegueira (1995), de José Saramago, e a transposição para o cinema, Blindness (2008), por Fernando Meirelles. Para tanto, toma-se como orientação epistemológica a crítica textual e, como referencial teórico, a topoanálise, assumindo como operadores de leitura os gradientes sensoriais, evocados como fios condutores de ambas as narrativas. Assim, a abordagem proposta centra-se na compreensão da dinâmica de macro e microespaços e dos gradientes sensoriais que orientam as personagens na sua relação com o entorno. O objetivo é, portanto, realizar estudo topoanalítico comparativo dos modos como sentidos humanos e espaços são plasmados no texto verbal e no texto verbo-músico-visual, observando-se como são configurados e por quais estratégias espaços e gradientes sensoriais na literatura e no cinema, com vistas à produção de determinados efeitos na instância leitura/espectadora. Por gradientes sensoriais compreendem-se as nuanças perceptivo-cognitivas atuantes na relação entre ser humano e entorno; no caso em apreço, entre personagens e espaço. Em linhas gerais, concluiu-se que predomina, no livro de Saramago, o olfato e, no filme de Meirelles, a visão, dotada de soundscape criada especialmente para a narrativa cinematográfica.
Publicado
2015-08-05
Como Citar
Coelho, L. R. (2015). Ensaio sobre a cegueira: Espaços e gradientes sensoriais em Saramago e Meirelles. Passagens, 5(2), 41-59. Recuperado de http://www.periodicos.ufc.br/passagens/article/view/1726
Seção
Artigos