TELETRABALHO (TELEWORK): uma prospecção para a Editora Universitária da UFPB
TELEWORK: a prospect for UFPB University Press
Sâmella Arruda Araújo
1
Fabiana da Silva França
2
Geisa Fabiane Ferreira Cavalcante
3
Izabel França de Lima
4
José Washington de Morais Medeiros
5
1
Mestranda Profissional em Geso nas
Organizações Aprendentes (PPGOA/UFPB)
E-mail: samella.dsn@gmail.com
2
Doutora em Ciência da Informação
(PPGCI/UFPB) e Pesquisadora - colaboradora de
projeto do Universitat Pompeu Fabra, Espanha
E-mail: fabiana21franca@gmail.com
3
Mestre Profissional em Gestão nas Organizações
Aprendentes (PPGOA/UFPB)
E-mail: gefabiane@gmail.com
4
Doutora em Ciência da Informação pela UFMG,
Professora do PPGCI e do PPGOA/UFPB
E-mail: belbib@gmail.com
5
Doutor em Educação (PPGE/UFPB), Professor
do IFPB e do PPGOA/UFPB
E-mail: washi_med@yahoo.com.br
ACESSO ABERTO
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Conflito de interesses: Os autores declaram
que não há conflito de interesses.
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Recebido em: 20/09/2019.
Revisado em: 01/10/2019.
Aceito em: 10/10/2019.
Como citar este artigo:
ARAÚJO, Sâmella Arruda Araújo; FRANÇA,
Fabiana da Silva; CAVALCANTE, Geisa Fabiane
Ferreira; LIMA, Izabel França de; MEDEIROS,
José Washington de Morais. Teletrabalho
(telework): uma prospecção para a editora
universitária da UFPB. Informação em Pauta,
Fortaleza, v. 4, n. especial, p. 132-151, nov. 2019.
DOI: https://doi.org/10.32810/2525-
3468.ip.v4iEspecial.2019.42611.132-151.
RESUMO
Com o avanço das Tecnologias de Informação e
de Comunicação (TIC) e as mudanças que
acompanham a sociedade, novas formas de
flexibilização das relações de trabalho têm se
disseminado. Entre elas, destaca-se o
teletrabalho, em que o indivíduo executa as
atividades no home office, mantendo o vínculo de
emprego formal com a organização. Neste
sentido, este artigo tem como objetivo investigar
a viabilidade da implantação do teletrabalho
para os servidores da Editora Universitária da
Universidade Federal da Paraíba (EDUFPB), a
partir da análise do fluxo que inicia com o
recebimento do arquivo enviado pelo autor para
a revisão textual até o envio para a impressão
final do livro, ou até a publicação on-line, isto no
caso dos e-books. Nesta pesquisa documental, a
metodologia utilizada é de natureza qualitativa.
Os resultados permitiram identificar as
possibilidades de implantação do teletrabalho.
Nesse contexto, o teletrabalho é uma opção para
os que desempenham função ligada diretamente
ao uso de tecnologias para desenvolver suas
atividades.
Inf. Pauta
Fortaleza, CE
v. 4
n. especial
nov. 2019
ISSN 2525-3468
DOI: https://doi.org/10.32810/2525-3468.ip.v4iEspecial.2019.42611.132-151
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Inf. Pauta, Fortaleza, CE, v. 4, n. especial, nov. 2019 | ISSN 2525-3468
Palavras-chave: Teletrabalho. Organização do
Trabalho. Editora Universitária UFPB.
ABSTRACT
Regarding the advancement of Information and
Communication Technologies (ICT) and the
changes that take place in society, new forms of
flexibility in labor relations have spread. Among
them, telework, in which the individual performs
the activities working from home, maintaining
the formal employment bond with the
organization, stands out. In this regard, this
article aims to investigate the viability of
implementing telework public servers of the
University Press of the Federal University of
Paraíba (EDUFPB), from the analysis of the flow
that begins with the receipt of the file sent by the
author review. To the sending to the final print
of the book, or to online publication, for ebooks.
In this documentary research, the methodology
used is qualitative in nature. The results allowed
to identify the possibilities of telework
implementation. In this context, telework is an
option for those who perform functions linked
directly to the use of technologies to develop
their activities.
Keywords: Telework. Work Organization.
University Presses - UFPB.
1 INTRODUÇÃO
Muito se fala sobre a globalização, sobre a dependência atual do homem em
relação às tecnologias digitais e sua relação com a instantaneidade, que é "um
movimento muito rápido e a um tempo muito curto" (BAUMAN, 2001, p. 134). Nesse
contexto, a fim de extrair pontos positivos acerca dos avanços nas tecnologias digitais da
informação e comunicação, podemos ter um olhar voltado para o mercado de trabalho,
em que é possível observar novos comportamentos dos profissionais, principalmente
nas funções relacionadas com a tecnologia da informação.
Alves (2018, p. 12) afirma em sua pesquisa que:
Observa-se, com as evoluções do mundo do trabalho, uma maior
conscientização do próprio trabalhador quanto ao alcance da satisfação no
trabalho, bem como da responsabilidade social por parte das organizações, a
fim de atingir os níveis de produtividade exigidos diante da globalização
Diante da sociedade da informação e do conhecimento, é necessário buscar
caminhos e soluções mais atuais. Nesse sentido, Duarte (2018, p. 199) discorre sobre a
gestão da informação e gestão do conhecimento, ao afirmar que
[…] essa busca pela atualização de conteúdos para acompanhar as tendências
emergentes de uma sociedade que se apresenta, ora como Sociedade da
Informação, do Conhecimento e da Aprendizagem, instiga a procura desse
caminho, que tem se apresentado como inatingível, considerando as limitações
e as barreiras impostas pela economia mundial
Como ponte para as soluções na sociedade da informação, temos as tecnologias digitais
da informação e comunicação, conhecidas como TICs, definidas por Castells (1999) como a
convergência de tecnologias em microeletrônica, computação (software e hardware),
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telecomunicações (radiodifusão e opto eletrônica), engenharia genética e seu conjunto de
desenvolvimentos e aplicações. Estas tecnologias vêm como auxílio para os setores públicos que
buscam melhorar a eficiência e eficácia. Além disso, são essenciais para o suporte e
acompanhamento de servidores que trabalham em regime de teletrabalho e seus gestores.
Assim, Ribeiro e Rodrigues (2004) apontam que os sistemas de informação estão disseminados
em todas as esferas de governo, proporcionando a prestação de serviços com agilidade e
eficiência.
Os livros, fonte de disseminação do conhecimento, podem ser produzidos no meio
acadêmico pelas Editoras Universitárias. Segundo a Associação Brasileira das Editoras
Universitárias (ABEU, 2019), “o produto principal das nossas associadas é o livro acadêmico-
científico, resultado de pesquisas em âmbito nacional e internacional”. A qualificação dos
gestores destas editoras pode ser comprovada em recente pesquisa realizada pela Revista de
Administração do UNIFATEA (RAF): “identificou-se que, na maioria das editoras universitárias
públicas brasileiras, existe um número significativo de gestores que possuem experiência prévia
em gestão e em organização e publicação de livros, bem como alto grau de qualificação”
(UNIFATEA, 2018, p. 146).
No estado da Paraíba, encontramos a Editora Universitária da Universidade Federal da
Paraíba (EDUFPB), que produz livros oriundos de trabalhos acadêmicos de Graduações e Pós-
Graduações, escritos no cenário da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). As propostas
enviadas pelas coordenações dos cursos são submetidas a um edital para publicação.
Posteriormente, são validadas por um conselho editorial interno. Assim, é gerado um conjunto
de arquivos brutos
i
que se tornarão livros. Estes arquivos, após correção linguística realizada
pelo servidor que ocupa a função de Revisor de Textos, são direcionados para os Técnicos em
Artes Visuais, que diagramam dentro dos padrões de um livro e desenvolvem a capa do mesmo.
Os servidores que ocupam a função de Técnicos em Artes Visuais desempenham em suas
atividades as atribuições de um Designer Gráfico. Villas-Boas (1999, p.11) define o Designer
Gráfico como “[...] a atividade profissional e a consequente área de conhecimento cujo objeto é a
elaboração de projetos para reprodução por meio gráfico de peças expressamente
comunicacionais”. Cardoso (2004, p.4) diz que “a origem mais remota da palavra está no latim
designare, verbo que abrange ambos os sentidos, o de designar e o de desenhar. Percebe-se que,
do ponto de vista etimológico, o termo já contém nas suas origens uma ambiguidade, uma tensão
dinâmica, entre o aspecto abstrato, de conceber/projetar/atribuir, e outro concreto, de
registrar/configurar/formar. Sendo assim, um designer gráfico utiliza todos esses
conhecimentos para realizar diversos trabalhos, como a diagramação de um livro.
Compreende-se que a função de Designer Gráfico/Técnico em Artes Visuais tem
como objetivo desenvolver peças gráficas, para impressão ou para uso digital, por meio
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da utilização correta de softwares específicos, fazendo uso de planejamento e
criatividade na composição da mesma. A função de Revisor de Textos também é apta
para o teletrabalho devido à sua autonomia, pois requer um computador compatível
com as configurações necessárias para execução dos softwares e acesso à Internet para
comunicação e pesquisa. Rosenfield e Alves (2011, p. 223) afirmam que “[...] atividades
profissionais que envolvem criação e inovação podem ser consideradas mais livres e
autônomas, pois também são controlados o conteúdo e os procedimentos de trabalho
por parte do próprio trabalhador”. Portanto, diante do exposto, considera-se que tais
funções são aptas para o regime de teletrabalho.
De Masi (2000. p. 212) aborda questões inerentes ao teletrabalho, mostrando
que,
Para as empresas, benefícios em termos de flexibilidade, produtividade e
criatividade; para os trabalhadores há benefícios em termos de autonomia,
condições físicas, relações familiares, boa vizinhança e acesso ao trabalho
(sobretudo para deficientes físicos, anciãos, donas de casa); para a coletividade,
benefícios em termos de redistribuição geográfica e social do trabalho,
redução do volume de trânsito, estímulos à criação de novos trabalhos,
revitalização dos bairros, redução da poluição e das despesas de manutenção
viária, eliminação das horas de pico etc.
Em busca do uso mais racional dos recursos públicos, e da economia de itens básicos,
como energia e água, algumas funções contidas no serviço público podem se modernizar, por
meio de aparatos tecnológicos e de comunicação para realização das suas tarefas diárias, sem
comprometer a produção, eficiência e o desempenho de suas atribuições.
Tomando como suporte as definições explanadas sobre o teletrabalho, é possível afirmar
que a implantação desse sistema de trabalho, com o auxílio das TICs, para os técnicos em artes
visuais e o revisor de textos da EDUFPB pode trazer vantagens, não apenas no que diz respeito à
qualidade de vida dos trabalhadores, mas, sobretudo, quanto à economia de insumos. Além
disso, traz mais eficiência e rapidez na diagramação dos livros, pois minimiza problemas atuais,
como falta de energia, instabilidade da internet e rede interna, bem como a alternância de
computadores para atender a todos os designers.
Portanto, a partir da análise do fluxo desde o recebimento do arquivo enviado pelo autor
para a revisão textual até o envio para a impressão final do livro, ou até a publicação on-line, isto
no caso dos e-books, o presente estudo tem como objetivo investigar a viabilidade da
implantação do teletrabalho para os servidores da Editora Universitária da Universidade Federal
da Paraíba (EDUFPB), a princípio para as funções responsáveis pela revisão linguística e pela
diagramação dos arquivos, identificando se estas tarefas podem ser desenvolvidas remotamente,
no domicílio dos servidores, por meio das tecnologias existentes como suporte e monitoramento
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das atividades. Com isso, busca elencar as vantagens da adoção do teletrabalho para a EDUFPB,
para os servidores destas atividades, e, posteriormente, para Universidade como um todo.
2 METODOLOGIA
Para alcançar o objetivo deste trabalho, foram adotados os seguintes procedimentos:
Revisão bibliográfica, buscando livros, artigos, teses e dissertações que versam sobre o tema;
Identificação e delimitação das atividades dos servidores que ocupam as funções de Técnico em
Artes Visuais e de Revisor de Textos; Prospecção de teletrabalho.
A partir destas observações e leituras, o presente estudo tem como objetivo
principal realizar uma prospecção de teletrabalho para a Editora Universitária da UFPB,
fazendo uso de TICs e apontando um novo esquema de trabalho, com foco na melhoria
da qualidade do trabalho e na redução dos prazos, atendendo as necessidades atuais da
EDUFPB. A coleta de dados foi complementada pelo levantamento de fontes
documentais da EDUFPB.
3 O TELETRABALHO
O teletrabalho consiste na realização das tarefas desempenhadas pelo funcionário
em local distinto da sede da empresa e em horário flexível e estabelecido pelo próprio
funcionário, estando diretamente relacionado com o uso de Tecnologia da Informação e
Comunicação (TIC), a fim de cumprir tarefas já estabelecidas pelos seus gestores. O
nome teletrabalho vem do termo "telecommuting", utilizado por Nilles, o qual define que
“Teletrabalho é todo aquele tipo de função que independe de localização geográfica.
Utiliza de ferramentas telecomunicacionais e de informação para assegurar um contato
direto entre o teletrabalhador e o empregador” (NILLES, 1997, p.35). Também podemos
observar estas características nos apontamentos de Sarsur et al. (2004, p. 4), pois ele
afirma que o teletrabalho é “uma modalidade de labor realizado pelo trabalhador
(autônomo ou empregado) em local distinto da empresa. Mudam as concepções de
espaço (desterritorialização) e de tempo (desprendido do aqui e agora)”.
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades (SOBRATT),
em seu portal web, traz a seguinte definição:
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[...] todo e qualquer trabalho realizado a distância (tele), ou seja, fora do local
tradicional de trabalho (escritório da empresa), com a utilização da tecnologia
da informação e da comunicação, ou mais especificamente, com computadores,
telefonia fixa, celular e toda tecnologia que permita trabalhar em qualquer
lugar e receber e transmitir informações, arquivos de texto, imagem ou som
relacionados à atividade laboral. (SOBRATT, 2019).
A Organização Internacional do Trabalho - O.I.T. destaca que a tecnologia
existente pode auxiliar ainda mais nesta modalidade de trabalho, mas também requer
alguns cuidados:
A expansão do uso de tecnologias digitais, como smartphones, tablets, laptops e
computadores desktop para trabalhar a distância (seja em casa ou em outros
lugares) está rapidamente transformando o modelo tradicional de trabalho.
Essa tendência pode melhorar o equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal,
reduzir o tempo de deslocamento e aumentar a produtividade, mas também
pode resultar em horas de trabalho mais longas, maior intensidade de trabalho
e interferência no trabalho e em casa [...]
ii
Entre as inúmeras vantagens, a O.I.T. cita alguns exemplos, como:
[...] A flexibilidade de horário oferece a possibilidade aos teletrabalhadores de
encarregar-se das obrigações familiares, cumprir suas obrigações ou
programar suas reuniões sem perder um dia completo de trabalho.
O teletrabalho também permite que os empregadores economizem dinheiro
com o consumo de energia, bens imóveis ou custos de relocalização. [...] é
benéfico tanto para o empregador como para o trabalhador.
Em primeiro lugar, aumenta a satisfação pessoal do empregado: livres da
agitação diária de ter que percorrer longas distâncias, os trabalhadores podem
encontrar mais facilmente um equilíbrio entre a vida privada e o trabalho e o
tempo que perderiam parados no trânsito pode ser dedicado a trabalhar para a
empresa. Os estudos demonstram que o teletrabalho reduz a rotatividade de
pessoal, o que se traduz em economia [...]
iii
A publicação do ano 2000, que vem com apontamentos, projeções e possíveis
soluções para o desenvolvimento informacional no Brasil, Sociedade da Informação no
Brasil - Livro Verde, nos mostra uma breve definição sobre a evolução do mercado de
trabalho e o teletrabalho:
Condição para haver teletrabalho é a separação do trabalhador do ambiente
tradicional, ou seja, do local físico do escritório, o que desestrutura também o
tempo de trabalho: esses trabalhadores passam a dispor de horários flexíveis
para realização de suas tarefas. O teletrabalho constitui, também, uma nova
abordagem do trabalho por parte dos indivíduos diante da possibilidade de se
estabelecerem novos tipos de vínculos e relações de trabalho com os
empregadores. (TAKAHASHI, 2000, p. 22).
Serra traz alguns apontamentos referentes às possíveis desvantagens que podem
ser encontradas na execução do teletrabalho:
Isolamento social (quando o trabalho é feito em casa a tempo inteiro); redução
dos contactos com os colegas de trabalho e a hierarquia; [...] degradação da vida
familiar, devido à intrusão do trabalho no lar; apagamento da diferenciação
entre trabalho e lazer; maiores possibilidades de conflitos familiares no
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alojamento (quando o teletrabalho é feito); maior dificuldade de defesa dos
seus interesses laborais e profissionais (o contrato de trabalho tende a ser
individual, dificultando ou impedindo as reivindicações colectivas);
parcelarização do trabalho; aumento do trabalho a tempo parcial; controle
invisível e omnipresente pelo computador central; menos oportunidades de
promoção. (SERRA, 1996, p. 18).
De acordo com os apontamentos feitos por Serra (1996), é possível identificar
que os pontos negativos do trabalho realizado em casa estão muito mais ligados à
disciplina e organização individual do servidor em relação à gestão de tempo, ambiente,
horário, entre outros, do que propriamente ao fato da realização de sua atividade.
Dentro de uma visão otimista, Domenico De Masi (2000, p. 263) afirma:
Para as empresas há benefícios em termos de flexibilidade, produtividade e
criatividade; para os trabalhadores há benefícios em termos de autonomia,
condições físicas, relações familiares, boa vizinhança e acesso ao trabalho
(sobretudo para deficientes físicos, anciãos, donas de casa); para a coletividade,
benefícios em termos de redistribuição geográfica e social do trabalho,
redução do volume de trânsito, estímulos à criação de novos trabalhos,
revitalização dos bairros, redução da poluição e das despesas de manutenção
viária, eliminação das horas de pico etc.
As funções em que os indivíduos necessitam basicamente da utilização de
softwares para execução de suas tarefas podem ser realizadas a distância, e, assim,
trazem benefícios. Nesse contexto, uma economia de grande impacto será gerada pela
redução dos custos de serviços fixos mensais, tais como: energia elétrica, água, material
de higiene e limpeza, além da redução de custos sazonais, como: manutenção de
máquinas, material de expediente, aquisição de mesas e cadeiras para compor o
ambiente de trabalho, entre outros. Deste modo, haveria economia significativa de
verbas públicas. A eficiência também deve ser levada em conta, pois haveria mais
agilidade na resposta às demandas existentes, tendo assim um ganho de produtividade,
já que os servidores estariam mais focados e longe de distrações que ocorrem quando se
trabalha na coletividade.
Para os servidores, podemos listar inúmeras vantagens, tais como: aumento da
qualidade de vida, diminuição dos custos e do tempo de deslocamento, flexibilidade de
horário, entre outros apontados por Jardim (2004, p. 42):
[...] a) o aumento de seu tempo livre, devido à diminuição do tempo gasto com o
trajeto casa-empresa/empresa-casa; b) a flexibilidade na organização do tempo
de trabalho, que respeitará o biorritmo do trabalhador; c) a flexibilidade no
local de trabalho; d) a redução de custos com transportes e combustíveis; e) a
ampliação de seu tempo de convivência com amigos, familiares e comunidade
onde vive; f) mais oportunidades de trabalho para portadores de deficiência
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física; g) integração de portadores de imunodeficiência e enfermidades
infectocontagiosas, pessoas que habitualmente sofrem grandes discriminações
em seus locais de trabalho; h) maiores possibilidades de inclusão no mercado
de trabalho, de mulheres, de trabalhadores que precisam cuidar de filhos, de
pessoas doentes ou de pessoas que estejam sob seus cuidados [...].
Deste modo, podemos observar que o teletrabalho em funções que podem ser
realizadas a distância traz benefícios não apenas para o servidor, mas também para a
instituição. No caso da Editora Universitária da UFPB (EDUFPB), estas vantagens aqui
listadas trazem benefício para a população, visto que a boa utilização de verba pública e
a economia gerada afetarão indiretamente a comunidade acadêmica.
4 PERCEPÇÃO DO TELETRABALHO NA EDITORA UFPB: PLANO DE ARTICULAÇÃO
PARA A INSTITUIÇÃO
Conforme Bufrem (2015, p. 239), uma Editora é “um sistema de relações, que se
destina a produzir certa obra, um trabalho coletivo cujo ato fundamental, a edição, é
comunicar algo que deve ser publicado”. Marques (2010. p. 333) afirma acerca de
Editoras Universitárias que, “por meio da publicação, o saber científico se torna público.
E o saber público é a essência da universidade moderna”. Esta publicação também pode
ser chamada de livro universitário, que, segundo Martins Filho e Rollemberg (2001.
p.49), “deve representar, antes de tudo, a imagem institucional, o trabalho dos
professores e pesquisadores de uma instituição, de tal forma que seu crédito ou
descrédito reflitam esta instituição”.
Cavalcante (2018 apud OLIVEIRA; LIMA, 2014) diz que, com 56 anos de atividade,
a Editora UFPB ultrapassa os mil títulos publicados, conquistando seu espaço entre as
demais editoras universitárias do país, sendo um órgão suplementar, de natureza
técnica, vinculada diretamente à Reitoria da UFPB (UNIVERSIDADE FEDERAL DA
PARAÍBA, 1979). A EDUFPB está regulamentada pela Resolução 388/1979 do
Conselho Universitário da UFPB (CONSUNI/UFPB), atendendo assim aos parâmetros
legais exigidos.
A EDUFPB trabalha com a publicação para impressão e para publicação on-line
no site da Editora, onde é possível a realização de download, categorizada por Cavalcante
e Lima (2016, p. 28) em quatro tipos, sendo eles:
a) Livros: Publicações não periódicas, de autoria individual ou coletiva;
b) Livretos: Materiais produzidos por docentes da UFPB, para uso didático nas
atividades de ensino, pesquisa e extensão;