Produção e tipologia documental de movimentos sociais

estudo sobre o arquivo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terras do Brasil (MST)

  • Jean Camoleze UNESP/Marília
  • Sonia Trointiño UNESP/Marília-SP
Palavras-chave: Arquivo de Movimentos Sociais. Produção Documental. Tipologia Documental. Documento Popular.

Resumo

Este artigo tem como objetivo discutir a contribuição da tipologia documental para a organização e contextualização de documentos produzidos por movimentos sociais. Para tanto, a reflexão baseia-se em um trabalho metateórico e um estudo de caso realizado no arquivo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil (MST), um dos movimentos de penetração social mais bem organizados e amplos do país. Como resultado, constatou-se que a produção de registros dessa organização social mantém os elementos característicos dos documentos de arquivo, ainda que sejam produzidos em organizações não caracterizadas como uma entidade jurídica. Da mesma forma, foi possível identificar que os documentos populares, representação documental típica dos movimentos sociais, têm valor educativo, cultural e exercem o ato comunicativo em todos os momentos, permitindo a recuperação de relações orgânicas, muitas vezes pouco evidentes, mas que também confirmam arquivística dos documentos produzidos por essas não instituições, no sentido tradicional.

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Biografia do Autor

Jean Camoleze, UNESP/Marília

Produtor cultural, gestor público e historiador, especializado em História, Sociedade e Cultura pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Museografia e Patrimônio Cultural pelo Centro Educacional Claretiano e mestrando em Ciência da Informação pela UNESP/Marília. Atuou como Professor da rede pública do Estado de São Paulo, do Colégio Integrado Objetivo de Jarinu, Diretor do Museu Histórico e Cultural de Jundiaí e do Centro de Memória de Jundiaí e Diretor de Cultura de Jundiaí. Atualmente é Secretário de Cultura e professor universitário na Universidade Padre Anchieta. Pesquisador na área de Organização Arquivística, Memória Institucional e Cultura e Sociedade. Também é membro do Fórum de Debate entre Educação e Cultura do Ministério da Cultura (MinC)

Sonia Trointiño, UNESP/Marília-SP

Possui graduação em História pela Universidade de São Paulo, formação em Patrimônio Cultural pela Fundación Duques de Sória/Ministério de Cultura de España e em Arquivística pela Fundación Sanchez-Albornoz/Universidad de Valladolid (Espanha). Atuou como diretora do Centro de Arquivo Permanente do Arquivo Público do Estado de São Paulo, além de trabalhar prestando consultoria nas áreas de pesquisa histórica e organização de acervos para diversas instituições. Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo, tendo desenvolvido pesquisa na linha temática Historiografia e Documentação. Docente da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp (FFC), no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação e no Departamento de Ciências da Informação, nos cursos de Arquivologia e Biblioteconomia. Tem experiência na área de Ciência da Informação, com ênfase em Arquivologia. É coordenadora do Centro de Documentação e Memória da UNESP - CEDEM e presidente da Comissão de Avaliação de Documentos e Acesso da Unesp - CADA. É pesquisadora dos grupos de pesquisa "Gênese Documental Arquivística" e "Cultura & Gênero"

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Publicado
2019-12-27
Como Citar
CAMOLEZE, J.; TROINTIÑO, S. Produção e tipologia documental de movimentos sociais. Informação em Pauta, v. 4, n. 2, p. 121-136, 27 dez. 2019.