Precisamos verdadeiramente de um verdadeiro sexo? Análise do filme Tomboy pelas lentes de Michel Foucault

  • Igor do Carmo Santos Grupo de Mulheres Brasileiras (GMB).
  • Valber Luiz Farias Sampaio Centro de Referência Especializado de Assistência Social - Pará
  • Joelma do Socorro Lima Bezerra Centro de Referência Especializado de Assistência Social – Pará
  • Auzy Cleyce Costa Sousa Secretaria Municipal de Saúde de Castanhal/PA
  • Maria Lúcia Chaves Lima Universidade Federal do Pará

Resumo

O presente ensaio tem como objetivo analisar o filme Tomboy por meio da discussão acerca da constituição do sujeito engendrado no dispositivo de sexualidade proposto pelo filósofo francês Michel Foucault. O filme apresenta a história de uma garota que cria uma identidade socialmente demarcada como masculina, após se mudar para uma nova localidade com sua família. No artigo, abordamos primeiramente o roteiro do filme e os motivos pelos quais escolhemos esse título cinematográfico. Posteriormente, dedicamo-nos às contribuições que o filósofo Foucault deixou como legado diante da temática referente à sexualidade. Para finalizar, apresentamos fragmentos do filme Tomboy, articulando-o com os operadores e ferramentas foucaultianas, de sorte a problematizar pontos significativos que dizem respeito à nossa atual “experiência de sexualidade”, construída repleta de normas e binarismos. Trata-se, portanto, de um arquear provisório sobre os modos de pensar a constituição do sujeito, em função de sua sexualidade, estreitando a problemática ligadas à relação saber-poder, saber-verdade.

Biografia do Autor

Igor do Carmo Santos, Grupo de Mulheres Brasileiras (GMB).
Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Pará – UFPA e psicólogo do Grupo de Mulheres Brasileiras (GMB).
Valber Luiz Farias Sampaio, Centro de Referência Especializado de Assistência Social - Pará
Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Pará – UFPA, especialista em Gestão e Planejamento de Políticas Públicas em Serviço Social pela Escola Superior da Amazônia (ESAMAZ) e psicólogo do Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS, no município de Castanhal/PA.
Joelma do Socorro Lima Bezerra, Centro de Referência Especializado de Assistência Social – Pará

Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Pará – UFPA e psicóloga do Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS, no município de Abaetetuba/PA.

Auzy Cleyce Costa Sousa, Secretaria Municipal de Saúde de Castanhal/PA
Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Pará – UFPA e coordenadora de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde de Castanhal/PA.
Maria Lúcia Chaves Lima, Universidade Federal do Pará
Doutora em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professora da Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Pará.

Referências

Bento, B. (2011). Na escola se aprende que a diferença faz a diferença. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 19, n. 2, p. 549-559.

Castro, E. (2009). Vocabulário em Foucault. Belo Horizonte: Autêntica.

______. (2014). Introdução a Foucault. Belo Horizonte: Autêntica.

Deleuze, G. (1992). Um retrato de Foucault. In: DELEUZE, Gilles. Conversações. São Paulo: 34.

Fonseca, M. (2011). Michel Foucault e a constituição do sujeito. 3. ed. São Paulo: EDUC.

Foucault, M. (1979). Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal.

______. (1995). O sujeito e o poder. In: DREYFUS, H. L., & RABINOW, P. Michel Foucault: uma trajetória filosófica para além do estruturalismo e da hermenêutica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, p. 231-249.

______. (1997). Resumo dos cursos do Collège de France (1970-1982). (A. Daher, Trad.). Rio de Janeiro: Zahar.

______. (2010a). A hermenêutica do sujeito: curso dado no Collège de France (1981-1982). 3. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes.

______. (2010b). O verdadeiro sexo. Ética, sexualidade e política. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

______. (2012a). História da Sexualidade 1: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal.

______. (2012b). História da Sexualidade 2: o uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Graal.

Lemos, F. C. F., & CARDOSO JÚNIOR, H. R. (2012). Problematizar. In: FONSECA, T. M. G., NASCIMENTO, M. L., & MARASCHIN, C. (Org.). Pesquisar na Diferença: um abecedário. Porto Alegre: Sulina.

Louro, G. L. (2000). O corpo educado: Pedagogias da sexualidade. 2. ed. Belo Horizonte: Autentica.

Muchail, S. T. (2011). Foucault, mestre do cuidado. São Paulo: Loyola.

Oksala, J. (2011). Como ler Foucault. Rio de Janeiro: Zahar.

Preciado, B. (2002). Manifesto contra-sexual: prácticas subversivas de identidad sexual. Madrid: Pensamiento Opera Prima.

Sciamma, C. (dir, guin.) (2012). Tomboy de Céline Sciamma. [DVD]. Paris: Hold-Upfilms; Lilies Films; Arte France Cinéma.

Scott, J. W. (1995). Gênero: uma categoria útil para análise histórica. Educação & Realidade. Porto Alegre, vol. 20, nº 2, jul./dez. 1995, pp. 71-99.

Tomboy. Em Dicionário on-line Michaelis. Retirado 02 de janeiro de 2010, a partir de http://michaelis.uol.com.br/escolar/ingles/definicao/inglesportugues/tomboy_19011.html.

Publicado
2019-07-01
Como Citar
Santos, I. do C., Sampaio, V. L. F., Bezerra, J. do S. L., Sousa, A. C. C., & Lima, M. L. C. (2019). Precisamos verdadeiramente de um verdadeiro sexo? Análise do filme Tomboy pelas lentes de Michel Foucault. Revista De Psicologia, 10(2), 187 - 195. Recuperado de http://www.periodicos.ufc.br/psicologiaufc/article/view/32625