“O homem é o lobo do homem”: o lugar do bandido na sociedade de risco

  • Leonardo Barros de Souza Universidade de Fortaleza
  • Aline Gabriele Carvalho de Lima Universidade de Fortaleza
  • Maria Celina Peixoto Lima Universidade de Fortaleza

Resumo

Freud no texto “o mal estar na civilização” discute a afirmativa de Hobbes “O homem é o lobo do homem”. Para o autor essa afirmativa põe em cena põe em cena a agressividade com a qual lidamos com o outro. Beck em “sociedade de risco” propõe que viveriamos hoje numa sociedade onde a produção de riscos supera o acúmulo de poder tecnológico-econômico. Interrogamos, neste cenário, o surgimento de uma figura perigosa, considerada o lobo da sociedade, um risco vivente: o bandido. Para tanto, nos valemos da noção de vida nua com Agamben, para pensar no estatuto próprio dessa figura, o de uma vida matável, sem valor. Se cada sociedade elege seus homo sacer, o bandido se apresenta como homo sacer para a sociedade de risco. Num esforço de calcular e medir o impossível, a sociedade de risco termina por produzir um efeito indesejado: põe em evidência o caráter de vida nua inerente a cada um dos viventes. O bandido é eleito como figura perigosa, portadora da agressividade do lobo, e seu lugar seria aquele de um vivente já habitado pela morte.

Referências

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Publicado
2019-07-01
Como Citar
de Souza, L. B., Carvalho de Lima, A. G., & Lima, M. C. P. (2019). “O homem é o lobo do homem”: o lugar do bandido na sociedade de risco. Revista De Psicologia, 10(2), 105 - 110. Recuperado de http://www.periodicos.ufc.br/psicologiaufc/article/view/39499