(In)Segurança no campo da extensão universitária:micropolíticas das afetações com crianças na periferia / (In)Security in the field of university extension:micropolitics of affectations with children in the periphery

Palavras-chave: Extensão universitária, infância, periferia, insegurança, micropolítica

Resumo

Esse texto tem como objetivo pautar um debate analítico a partir dos afetos experimentados por uma professora pesquisadora ao acessar um território de periferia na cidade de Fortaleza-CE, bem como apresentar os motivos que a levaram a empreender a travessia para o outro lado dessa cidade dividida e as repercussões disso nas ações de um projeto de Extensão. A relevância dessa escrita está em promover uma reflexão crítica sobre o binômio segurança/insegurança que nos atravessa no contexto da extensão universitária. Qual o limite de realidade da (in)segurança? Quais afetos paralisantes e mobilizadores podemos acessar nos territórios dessa atividade acadêmica? Para dialogar com essas questões, optamos pelo recorte de cenas dessa inserção na periferia, apresentando algumas micropolíticas resultantes das afetações produzidas pela participação dos sujeitos envolvidos nesse projeto, através de análises sobre a relação entre as crianças participantes e a equipe acadêmica; a relação dessas crianças com seu bairro e com a cidade (para além dos “muros” da periferia).

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luciana Martins Quixadá, Universidade Estadual do Ceará

Doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará (2015), com doutorado sanduíche na Université de Toulouse-Jean Jaurès, mestre em Psicologia Clínica pela Universidade de Brasília (2005) e graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (2002). Atualmente, é professora adjunta da Universidade Estadual do Ceará e membro do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre a Saúde da Criança e do Adolescente - NUSCA/UECE. Tem experiência no atendimento a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e na área de Psicologia Social, Educacional e do Desenvolvimento. Principais temas de investigação: teoria crítica, processos de mediação simbólica e subjetivação, práticas lúdicas e processos de aprendizagem, desenvolvimento infantil, situações de risco e de proteção à infância e à juventude.

Jaileila de Araújo Menezes, Universidade Federal de Pernambuco

Possui graduação em Curso de Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (1997), mestrado em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999) e doutorado em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2004). Atualmente é professora associada da Universidade Federal de Pernambuco, vinculada ao Departamento de Psicologia e Orientações Educacionais do Centro de Educação e ao Programa de Pós-graduação em Psicologia do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia social e política, atuando principalmente nos seguintes temas: Participação política juvenil, Juventude e projeto de vida, Juventude e Movimentos Sociais, Subjetivação de jovens na contemporaneidade, Juventude, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos; Juventude e interseccionalidade, Subjetividade e Escrita de Si. Pesquisadora vinculada ao Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Poder, Cultura e Práticas Coletivas (GEPCOL).

Referências

Acosta, A. (2016). O Buen Vivir: uma oportunidade de imaginar outro mundo. In: Sousa, Cidoval Morais de. 2016. Um convite à utopia [online]. Campina Grande: EDUEPB. Vol. 1, p. 203-233. https://doi.org/10.7476/9788578794880.0006

Alcântara, L. C. S. & Sampaio, C. A. C. (2017a). Bem Viver: uma perspectiva (des)colonial das comunidades indígenas. Revista Rupturas, Costa Rica, 7(2): 1-31. http://dx.doi.org/10.22458/rr.v7i2.1831

Alcântara, L. C. S. & Sampaio, C. A. C. (2017b). Bem Viver como paradigma de desenvolvimento: utopia ou alternativa possível? Desenvolvimento e Meio Ambiente, Curitiba, 40: 231-251. http://dx.doi.org/10.5380/dma.v40i0.48566

Butler, J. 2018. Corpos em aliança e a política das ruas: notas para uma teoria performativa de assembleia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência (CCPHA). (2019). Cada Vida Importa – relatório 2019.2. Governo do Estado do Ceará, Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e Instituto OCA: Fortaleza. http://homolog.adeboaz.webfactional.com/ccpha/cada-vida-importa-relatorio-julho-dezembro-2019.pdf

Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência (CCPHA). (2018). Cada Vida Importa – relatório 2018.2. Governo do Estado do Ceará, Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e Instituto OCA: Fortaleza. https://cadavidaimporta.com.br/wp-content/uploads/2019/10/CCPHA-RELATORIO-2018_2.pdf

Fernandes, F. (2008). Sociedade de classes e subdesenvolvimento. São Paulo: Global.

Foucault, M. (2010). Em defesa da sociedade. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes.

Fórum Brasileiro de Segurança Pública. (2020). Atlas da violência 2020: principais resultados. Brasil. https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/artigos/5929-atlasviolencia2020relatoriofinalcorrigido.pdf

Guattari, F. (2014). Lignes de fuite: pour un autre monde de possibles. La Tour d’Aigues: Éditions de l’Aube.

Guattari, F. & Rolnik, S. (2013). Micropolíticas: cartografias do desejo. Petrópolis: Vozes.

Matias-Rodrigues, M. N. & Araújo-Menezes, J. de. (2014). Jovens mulheres: reflexões sobre juventude e gênero a partir do Movimento Hip Hop. Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales, Niñez y Juventud, Colômbia, 12(2): 703-715. http://dx.doi.org/10.11600/1692715x.12213230114

Mbembe, A. (2017). Políticas da inimizade. Lisboa: Antígona.

Paiva, L. F. S. (2007). Contingências da violência em um território estigmatizado. [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Ceará]. http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/6330/1/2007-DIS-LFSPAIVA.pdf

Sarmento, M. J. (2008) Sociologia da infância: correntes e confluências. In Sarmento, Manuel Jacinto & Gouvea, Maria Cristina Soares de. [orgs.]. 2008. Estudos da infância: educação e práticas sociais (pp. 17-39). Petrópolis: Vozes.

Secretária da Cultura do Estado do Ceará. (2020). O Dragão do Mar na história do Ceará. Fortaleza: SECULT. http://www.dragaodomar.org.br/institucional/dragao-do-mar-na-historia-do-ceara

Souza, M. L. de. (2008). Fobópole: o medo generalizado e a militarização da questão urbana. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.

Publicado
2021-07-01
Como Citar
Martins Quixadá, L., & de Araújo Menezes, J. (2021). (In)Segurança no campo da extensão universitária:micropolíticas das afetações com crianças na periferia / (In)Security in the field of university extension:micropolitics of affectations with children in the periphery. Revista De Psicologia, 12(2), 188 - 197. https://doi.org/10.36517/revpsiufc.12.2.2021.14
Seção
Dossiê Especial "Políticas de Narrativas nas Pesquisas Participativas"