Por uma Mudança de Paradigma: Antinegritude e Antagonismo Estrutural

João Costa Vargas

Resumo


Ao propor a substituição da díade analítica canônica brancx-não brancx pela díade analítica negrx-não negro, esse artigo propõe que a gramática da antinegritude e seu campo assimétrico de posicionalidades são normativos, subliminares, ubíquos, transhistóricos, e assim efetivamente imunes à contestação. Esta gramática estabelece a ausência negra como auto-evidente. O fato de as pessoas negras compartilham e reproduzem esse universo simbólico antinegro demonstra exemplarmente a naturalização e onipresença desse universo. Isso mostra como que a negritude, mesmo para pessoas negras, é vista normativamente como a antítese da humanidade em um mundo antinegro. Consequentemente, uma consciência negra que não é dependente da gramática da antinegritude só é possível quando a antinegritude e o mundo cognitivo e social que ela alicerça são destruídos.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Revista de Ciências Sociais, fundada em 1970. Periódico indexado em LatindexDiadorim e REDIB.  ISSN 2318-4620

Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará
Av. da Universidade, 2995 — Benfica 
Fortaleza, CE — CEP 60020-181 
rcs@ufc.br