Entre trânsitos e cárceres: os processos de (des)fazer a fronteira hispano-marroquina numa experiência prisional no Centro Penitenciário de Tetuão

  • Montserrat Valle Prada Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Palavras-chave: Fronteira, Cárcere, Espanha, Marrocos

Resumo

A posição confinante das águas do mar Mediterrâneo torna a fronteira entre Espanha e Marrocos não apenas uma localização geopolítica, senão um território onde se produzem, no seu cotidiano, relações, demarcações, fraturas e porosidades entre espaços, sujeitos e modos de vida. Neste artigo, proponho contemplar os diversos processos de fazer e desfazer a fronteira hispano-marroquina a partir da trajetória de Rita - principal interlocutora -, uma mulher espanhola encarcerada no Centro Penitenciário feminino de Tetuão, Marrocos. Ao considerar tal prisão como uma passagem da fronteira hispano-marroquina em si mesma, vou tecendo um diagrama de circulações, agências e cruzamentos entre métodos punitivos e eixos de diferenciação que compõem e alteram constantemente o seu espectro.

Biografia do Autor

Montserrat Valle Prada, Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Possui Licenciatura em Psicologia pela Universidade de Girona (Espanha). Tem experiência profissional na área de Psicologia Social. Possui pós-graduação em Inclusión de sujetos con capacidades especiales, na Universidade Nacional de Córdoba (Argentina) e em Adopción, Acogimiento y Postadopción, na Universidade de Barcelona (Espanha). Concluiu o mestrado em Saúde Coletiva no Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado de Rio de Janeiro (UERJ).

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Publicado
2018-11-01