Babalaze das hienas e a memória coletiva moçambicana

a oralidade, a ancestralidade e a escrita poética como narrativa da guerra civil

Palavras-chave: Craveirinha, Babalaze das hienas, poesia, memórias de guerra

Resumo

Este artigo traz uma reflexão sobre a poesia do escritor moçambicano José Craveirinha, na obra Babalaze das hienas (2008). Nessa reflexão analisamos o lugar da oralidade e da africanidade na poesia de Craveirinha, que evoca a memória coletiva do seu país, duramente afetado pela guerra civil. O sentimento nacional e o africanismo evocados na poética de Craveirinha não apenas expõem as dores e os horrores que assolaram o seu povo, mas também apontam caminhos de emancipação identitária, política e cultural das opressões colonialistas. Por estas razões é que a escrita de Craveirinha é, em certa medida, um tratamento africano para preservação de sua cultura. Para tal análise será considerado o poder da oralidade africana na construção deste processo catártico, uma vez que o poeta tem como fonte de inspiração para sua escrita as memórias e as vozes da população atingida pela guerra.

Biografia do Autor

Gustavo De Azevedo porto, SEDF

Licenciado em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2003); Especialista em Literatura portuguesa e africana pela Univesidade Federal do Rio de Janeiro (2005); professor de História da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal e da Secretaria de Estado de Educação de Goiás.

Adeir Ferreira Alves, UNB

Bacharel e Licenciado em Filosofia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino(2006); Técnico em Meio Ambiente pelo Instituto Federal de Brasília (2017); Especialista em Filosofia e Existência pela Universidade Católica de Brasília (2014); e Mestre em Direitos Humanos e Cidadania pela Universidade de Brasília (2019). Atualmente: é pesquisador do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros-NEAB da UnB; Membro Consultor da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional do Distrito Federal; Professor de Filosofia da Secretaria de Educação do Distrito Federal.

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Publicado
2021-01-31
Seção
Dossiê Memórias de Guerra