Sociologia da probidade pública e usos do direito no combate à corrupção

Palavras-chave: Sociologia política, probidade pública, usos do direito

Resumo

Esse texto apresenta o Dossiê Sociologia da probidade pública e usos do direito no “combate à corrupção”, publicado na Revista de Ciências Sociais do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará em julho de 2022. Desde a deflagração da Operação Lava Jato em 2014, o debate público foi tomado por múltiplos posicionamentos sobre a proximidade dos meios de comunicação com a força-tarefa da operação em Curitiba, sobre a probidade pública de atores políticos e sobre os diferentes usos da legislação penal pelas elites judiciais – do Supremo Tribunal Federal aos procuradores da República em primeiro grau. Se existe uma conexão central entre esses fenômenos sociais, parece ser aquela que reduziu as fronteiras entre o midiático, o político e o jurídico no país. As implicações desse escândalo político-jurídico também deixaram rastros em diferentes conjunturas: do impeachment de Dilma Rousseff em 2016 à eleição de Jair Bolsonaro à presidência da República em 2018; na prisão e no impedimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em concorrer nas eleições de 2018; na ascensão de Sergio Moro ao Ministério da Justiça do governo Bolsonaro; entre outros. Nesse sentido, sob um certo privilégio de afastamento temporal do turbilhão de eventos que tomaram o país na última década, esse Dossiê buscou agrupar reflexões e diagnósticos de investigações baseadas em dados originais e empíricos sobre múltiplos enfoques: probidade pública na Polônia, atores e as instituições judiciais brasileiras (suas biografias, suas vocações e suas reconversões), os impactos da série de revelações conhecida como Vaza Jato e as conexões de jornalistas com os operadores do direito em torno da moralização da política.

Biografia do Autor

Juliane Sant’Ana Bento, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)

Professora do Curso de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Foi Professora Temporária no Departamento de Direito Público e Filosofia do Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Coordenadora adjunta do Núcleo de Estudos em Justiça e Poder Político (NEJUP) do Departamento de Ciência Política da UFRGS. Pós-doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Direito e Justiça Social da Universidade Federal do Rio Grande. Doutora em Ciência Política pela UFRGS (2017). Realizou estágio de doutorado no exterior, com Bolsa CAPES/PDSE, no Centre de Recherche Politique de la Sorbonne (CRPS) / Centre européen de sociologie et de science politique (CESSP), da Universidade Paris1 Panthéon-Sorbonne (2015). Possui graduação em Ciências Sociais (2009) e em Direito (2010) pela Universidade Federal de Pelotas, onde também concluiu o curso de Mestrado em Ciências Sociais (2012). Atua principalmente nos seguintes temas: sociologia política do direito, judicialização da política, crimes políticos, corrupção, ativismo judicial e regras eleitorais.

Lucas e Silva Batista Pilau, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e bolsista do CNPq (2019-2023). Meste em Ciências Criminais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Membro do Núcleo de Estudos em Elites, Justiça e Poder Político (NEJUP).

Referências

DATAFOLHA. Corrupção lidera pela primeira vez pauta de problemas do país. 30 de novembro de 2015. Disponível em: https://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2015/11/1712972-corrupcao-lidera-pela-primeira-vez-pauta-de-problemas-do-pais.shtml. Acesso em 24 de junho de 2022.

FOLHA DE SÃO PAULO. Datafolha: Em ano eleitoral, saúde e economia lideram preocupações do brasileiro. 25 de março de 2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/03/datafolha-em-ano-eleitoral-saude-e-economia-lideram-preocupacoes-do-brasileiro.shtml. Acesso em 24 de junho de 2022.

Publicado
2022-07-01
Seção
Dossiê Probidade Pública