A PAISAGEM NA PRODUÇÃO LETRADA ROMÂNTICA: ARTIFÍCIO E NATUREZA / The landscape in the romantic literate production: artifice and nature

  • Lúcia Ricotta Vilela Pinto

Resumo

O objetivo da presente consideração é demonstrar como o topos “cenas da natureza” em ficçãode prosa e de poesia e no discurso da historiografia literária expressa na produção letrada românticabrasileira, constitui-se, por um lado, em desdobramentos da tradição da pintura depaisagem, notadamente ligada ao gênero histórico dos relatos do Novo Mundo e, por outro, emapropriações e elaborações modernas da paisagem tropical provindas dos viajantes naturalistasAlexander von Humboldt e Ferdinand Denis. Movido por tal hipótese, este artigo examina orendimento expressivo das “cenas de origem” e de uma “poética da história” quando, na produçãoem questão de Gonçalves de Magalhães, de Gonçalves Dias e de José de Alencar, a naturezatropical e o índio figuraram o sentido da autenticidade americana. Para tanto, este artigo demonstracomo a reinvenção poética da natureza pelos românticos termina por vincular o problema históricoda origem à representação teatral da paisagem, reunindo o artifício e a natureza para aarte do “gênio” nacional.Palavras-chave: Cenas; Natureza; Romantismo.

Biografia do Autor

Lúcia Ricotta Vilela Pinto
Professora de Teoria Literária e Literatura Brasileira na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, é doutora emHistória Social da Cultura pela Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) (UNIRIO) e pós-doutora pela UniversidadeEstadual de Campinas (UNICAMP). Autora de Natureza, Ciência e Estética em Alexander von Humboldt (2002), é especialistaem relatos de viagem e literatura brasileira do século XIX. Trabalha atualmente com as ressonâncias do espaço naprodução cultural e literária do romantismo brasileiro. Co-editou dossiês especiais sobre Graciliano Ramos, GuimarãesRosa, e sobre a Literatura de Viagem.
Como Citar
PINTO, L. R. V. A PAISAGEM NA PRODUÇÃO LETRADA ROMÂNTICA: ARTIFÍCIO E NATUREZA / The landscape in the romantic literate production: artifice and nature. Revista de Letras, v. 1, n. 34, 11.