APELO A UM EXTERIOR: AS ALUSÕES COMO ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVAS / THE APPEAL TO AN EXTERIOR: ALLUSIONS AS ARGUMENTATIVE STRATEGIES

  • Mariza Angélica Paiva Brito
  • Maria Dayanne Sampaio Falcão
  • José Elderson de Souza Santos
Palavras-chave: Heterogeneidade Enunciativa. Alusão. Estratégias Argumentativas.

Resumo

RESUMO

Neste trabalho, encaramos a alusão como uma heterogeneidade mostrada que, embora não seja assinalada por marcas tipográficas, apresenta outros tipos de marcação que podem apontar ou para trechos de um texto-fonte específico, ou para aspectos de uma obra que são de domínio público, ou ainda para uma temática amplamente noticiada na mídia, conforme Cavalcante e Brito (2011) e
Faria (2014). Nossa hipótese básica é que as alusões são estratégias persuasivas. Refletimos aqui sobre as marcas de persuasão que as alusões podem desempenhar no texto, partindo da hipótese de que são estratégias argumentativas, portanto usadas de modo proposital, com objetivos bem definidos. Promovendo uma modificação complexa da significação, as alusões apontam diretamente para o surgimento de uma exterioridade no fio do texto e, por isso, assinalam um risco assumido que funciona como uma falta, criando no dizer o apelo a um exterior. Analisamos, em postagens de gêneros diversos veiculados na rede social Facebook e Instagram, as alusões como uma estratégia
persuasiva. Para este estudo, as teorias convocadas foram as Heterogeneidades Enunciativas, de Authier-Revuz (1990, 2004, 2007); a Nova Retórica, de Perelman-Tyteca (2005) e a Teoria da Argumentação no Discurso de Amossy (2017). Authier-Revuz considera como intertextualidade alusiva apenas as ocorrências em que há claras indicações de um texto em outro texto, posição que não aceitamos inteiramente.

ABSTRACT

In this paper, we face allusion as a shown heterogeneity that, although not signalized by typographic marks, presents other types of marks that can point out or to statements of a specific source text, or to aspects of a work that belongs to the public domain, or yet to a widely reported theme in the media, in accordance with Cavalcante and Brito (2011) and Faria (2014). Our basic hypothesis is that the allusions are persuasive strategies. Here we ponder about the marks of persuasion the allusions can perform in a text, assuming the hypothesis that they are argumentative strategies, therefore intentionally used, with well defined objectives. Promoting a complex modification of significance, the allusions point out directly to the emergence of an exteriority of the text and, for this reason, they mark an undertaken risk that works as an absence, creating in the phrase the appeal for an exterior. We analyzed, in posts from diverse genres disseminated in the social network Facebook and Instagram, the allusions as a persuasive strategy. For this study, the theories summoned were the Enunciative Heterogeneities, by Authier-Revuz (1990, 2004, 2007); the New Rhetoric, by Perelman-Tyteca (2005) and the Argumentation Theory in the Discourse by Amossy (2017). Authier-Revuz considers as allusive intertextuality only the occurrences in which there are clear indications of a text in another text, positioning that we do not entirely accept.

Publicado
2018-02-13
Como Citar
BRITO, M. A. P.; FALCÃO, M. D. S.; SANTOS, J. E. DE S. APELO A UM EXTERIOR: AS ALUSÕES COMO ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVAS / THE APPEAL TO AN EXTERIOR: ALLUSIONS AS ARGUMENTATIVE STRATEGIES. Revista de Letras, v. 2, n. 36, 13 fev. 2018.