AS TRADUÇÕES DE MAURÍCIO DE SOUSA EM HISTÓRIAS EM QUADRÕES: ESTRANGEIRIZAÇÃO ATRAVÉS DO PASTICHE

  • Claudia Regina Rodrigues Calado

Resumo

RESUMO: Em 2001, o cartunista e escritor brasileiro Maurício de Sousa realizou trinta e sete traduções, pintadas em acrílica, de quadros internacionais famosos considerados obras-primas. Ele trouxe pinturas de artistas como Paul Gauguin, Diego Velázquez, Vincent Van Gogh, entre outros, de épocas, nacionalidades e tendências diferentes, para o contexto cultural brasileiro ao utilizar seus personagens da série Turma da Mônica como figuras centrais dessas releituras. No prefácio do livro História em Quadrões, Sousa afirmou que pretendeu, com esse trabalho, incentivar a criatividade e divulgar o universo sacralizado da História da Arte de maneira divertida, provavelmente tendo como alvo o seu público infanto-juvenil cativo, consumidor de seus quadrinhos que estão inseridos no domínio da cultura de massa. Para isso, utilizou o pastiche, gênero reconhecido por vários teóricos como uma “imitação” com finalidade lúdica que recria uma obra literária ou artística sem necessariamente ter a função de fazer críticas ou sátiras, diferenciando-se, portanto, da paródia. Ao analisarmos como se deu o processo tradutório, concluímos que Sousa demonstrou uma tendência à “estrangeirização” de suas traduções, termo revalidado pelo teórico Lawrence Venuti, a partir de conceituação prévia de Friedrich Schleiermacher, para classificar um tipo de estratégia em que o tradutor alcança visibilidade ao introduzir traços estrangeiros da cultura fonte na cultura alvo visando o estranhamento do fruidor, para que este, através do confronto com idiossincrasias não-locais, tente decifrar e entender os diversos signos culturais de outras nacionalidades, tendo sempre consciência de que aquela obra se trata de uma tradução.

Palavras-chave: Maurício de Sousa; História em Quadrões; Tradução; Pastiche; Estrangeirização

Publicado
2020-06-03