MARXISMO E ESPERANÇA: ERNST BLOCH, PENSADOR REVOLUCIONÁRIO

  • Michael Löwy
Palavras-chave: Marxismo, Utopia, Romantismo revolucionário, Possibilidade, Crítica do presente

Resumo

Ernst Bloch, pensador marxista, dedicou toda a sua vida à ideia de utopia. Esta compõe o coração da reflexão de Bloch desde seus primeiros escritos, O espírito da utopia (de 1918) e Thomas Münzer: teólogo da revolução (de 1921). Referindo-se aos seus primeiros escritos, Bloch os definia como romântico-revolucionários. O romantismo revolucionário do pensador alemão alcança sua mais importante contribuição em O princípio esperança, o livro mais importante de Ernst Bloch e, sem dúvidas, uma das obras mais importantes do pensamento emancipatório do século XX. Tal livro enciclopédico representa uma imensa e fascinante viagem pelo passado, em busca das imagens do desejo e das paisagens da esperança. É válido ressaltar que por “romantismo” entendemos não somente uma escola literária do início do século XIX, mas uma vasta corrente cultural de protesto em nome de certos valores sociais e culturais do passado, contrária à civilização capitalista moderna. Nesse contexto, não se trata de uma nostalgia do passado, mas de resgatá-lo na crítica do presente, e rumo ao futuro possível. Não casualmente a tematização da utopia se vincula a uma ontologia da possibilidade que caminha na direção de um conceito dialético de realidade na direção do marxismo. Assim, pretendemos refletir, no presente texto, como esse resgate da utopia vai de encontro com uma ontologia do ainda-não-ser, na base da qual se afirma que o mundo, tal como existe, é falso. Em suma, pretendemos elucidar alguns dos conceitos centrais da filosofia da esperança e da utopia concreta de Ernst Bloch, no interior de uma contribuição no âmbito do marxismo.

Referências

ADORNO, Theodor. Noten zur Literatur (II). Frankfurt: Suhrkamp Verlag, 1971.

BLOCH, Ernst. Le Principe esperance (tome I). Trad. de l’ allemand par Françoise Wuilmart. Paris: Gallimard, 1976.

___________. Le Principe esperance (tome II). Trad. de l’ allemand par Françoise Wuilmart. Paris: Gallimard, 1982.

___________. Geist der utopie. Frankfurt: Suhrkamp, 1964/1980.

___________. L’Esprit de l’utopie. Trad. de l’allemand par Anne-Marie Lang et Catherine Piron-Audard. Paris: Gallimard, 1977.

LÖWY, Michael. Pour une sociologie des intellectuels révolucionnaires: l’évolution politique de Lukács. Paris: Presses Universitaires de France, 1976.

___________. Révolte et mélancolie: le romantisme à contre-courant de la modernité. Paris: Payot, 1992.

LÖWY, M. Utopía y romanticismo revolucionario en Ernst Bloch. In: VEDDA, Miguel (org.) Ernst Bloch – Tendencias y latencias de un pensamiento. Buenos Aires: Herramienta Ediciones, 2007, pp. 13-21.

MÜNSTER, Arno. Int. à Tagtraüme von aufrechtem Gang. In: Sechs Interviews mit E. Bloch. Frankfurt: Shurkamp, 1978.
Publicado
2021-04-30
Seção
Dossiê Ernst Bloch