Para, não: de Dalton 
Trevisan (sobre) a 
Katherine Mansfield

  • Katherine Funke Universidade Federal de Santa Catarina

Resumo

Este artigo propõe acompanhar o escritor curitibano Dalton Trevisan por entre suas intenções estéticas ligadas à ideia de repetição e diferença a partir de duas versões do conto em forma de carta endereçada à escritora neozelandeza Katherine Mansfield. A carta “My darling Katherine (Mansfield)” foi publicada originalmente em 1947, na edição n. 14 da revista Joaquim. Ganhou nova versão, disponível em Até você, Capitu, de 2013, passando por duas outras publicações com pequeninas alterações (no renegado Sete Anos de Pastor, de 1948, e depois em Mistérios de Curitiba, de 1968, com o título de “Retrato de Katie Mansfield”). O que norteia o artigo é a tese de que, para Dalton, reescrever é um gesto vital, como destaca Berta Waldman. De versão em versão, o vampiro sobrevive e sua obra ganha mais corpo. Na insistência no procedimento da repetição, Dalton reafirma a originalidade de sua diferença transgressora em relação a outras literaturas. Este conto disfarçado de carta é exemplo desse procedimento, assim como da potencialidade criada pela repetição. 

Biografia do Autor

Katherine Funke, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutoranda em Literatura UFSC (SC)
Mestre em Literatura - UFSC (SC)
Bacharel em Comunicação Social - IELUSC (SC)
Especialista em Jornalismo Contemporâneo - UNIJORGE (BA) 

Referências

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Publicado
2019-07-30