Os movimentos sociais urbanos, a questão da organização e a democracia interna

Autores

  • Linda Maria de Pontes Gondim UFC

Resumo

Este trabalho analisa, no contexto dos movimentos sociais urbanos (MSUs, os limites e possibilidades concretas relacionadas a práticas alternativas àquelas geralmente adotadas pelas organizações que emergem no bojo de movimentos sociais. Primeiramente, discute-se, no plano teórico,problemas que a própria formação de associações burocraticamente organizadas pode acarretar para os MSUs, seja em termos de sua eficácia como agentes de transformação social, seja no que se refere aos limites que a burocratização coloca para a prática da democracia interna (a "lei férrea da oligarquia" de Michels). A seguir, apresentam-se as características do modelo alternativo de organização "democrático-coletivista", baseada na informalidade, no consenso e numa divisão de trabalho ad hoc e mínima.As dificuldades associadas a ambos os tipos de organização são consideradas a partir de experiências ocorridas no movimento de bairros de Fortaleza. Esta análise evidencia os dilemas suscitados, de um lado, pela demanda por menor formalização e centralismo, como meio de facilitar a participação direta e garantir o pluralismo; e,de outro, pela necessidade de procedimentos explícitos para dirimir conflitos e avaliar a legitimidade e representatividade de grupos que competem pelo controle de uma associação ou movimento. Finalmente, apresenta-se um modelo que pode ser a única saída efetiva para o dilema "organização versus participação direta". Esse modelo, fundamentado nas ideias utópicas de Habermas e Lechner, vai além do reconhecimento [e crítica) aos aspectos processuais da prática organizacional. Ele preconiza a busca por um consenso baseado num processo onde todos os participantes se reconheçam mutuamente como sujeitos da vida coletiva, não havendo lugar para a manipulação e o autoritarismo. Tal processo, pois, requer o reconhecimento intersubjetivo da validade ética dos procedimentos adotados, e não a mera aceitação das regras formais de democracia, seja ela praticada através da organização, ou da participação direta...

Biografia do Autor

Linda Maria de Pontes Gondim, UFC

Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (1972), mestrado em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1976) e doutorado em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade de Cornell, EUA (1986). Atualmente é professora titular aposentada da Universidade Federal do Ceará, vinculada Programa Especial de Participação de Professores Aposentados da UFC (PROPAP). É professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e do Mestrado em Arquitetura e Urbanismo e Design. Seus temas de interesse são: movimentos sociais, habitação popular, participação popular e metodologia de pesquisa.

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Publicado

2020-05-21

Como Citar

Gondim, L. M. de P. . (2020). Os movimentos sociais urbanos, a questão da organização e a democracia interna. Revista De Ciências Sociais, 20(1/2), 31–60. Recuperado de http://www.periodicos.ufc.br/revcienso/article/view/44169